Aldea Maracanã: hace 5 años se encendía la llama de la revuelta popular

RJ - ÍNDIOS/ALDEIA/MARACANÃ/CONFLITO - GERAL - Policiais Militares usam spray de pimenta nos manifestantes. O clima é de tensão em frente ao antigo Museu do Índio, na Maracanã, Zona Norte do Rio, na manhã desta sexta-feira. Homens do Batalhão de Choque da Polícia Militar (BPChq) cercam desde a madrugada e há o risco de uma invasão a qualquer momento. O imóvel está ocupado por índios de várias etnias desde 2006, mas o governo quer contruir um museu olímpico no local. O prazo para que os índios deixassem o imóvel, determinado pela justiça federal, terminou à meia-noite desta quinta-feira. 22/03/2013 - Foto: AGÊNCIA O DIA/AGÊNCIA O DIA/AGÊNCIA O DIA/ESTADÃO CONTEÚDO

Há 5 anos, a máfia do Rio de Janeiro, chefiada pelo bandido Sérgio Cabral, reintegrava ao estado a posse da Aldeia Maracanã com muita violência contra os indígenas que ocupavam o terreno.

Vito Ribeiro e Patrick Granja

Dia 22 de março de 2013 foi um dia marcante na história recente da cidade do Rio de Janeiro. Foi quando o estado despejou todo seu aparato repressivo e, com muita covardia e violência, atacou os indígenas ocupantes do antigo Museu do Índio, situado no bairro do Maracanã. O grupo que havia retomado o terreno de 14 mil metros quadrados em 2006, e vinha desenvolvendo atividades culturais diárias, levava a frente a proposta de formar ali uma Universidade Intercultural Indígena.

Às vésperas da Copa do Mundo da FIFA de 2014, o lobby da Odebrechet obrigou o pau-mandado e então governador Cabral a despejar os indígenas. E coube à polícia militar fazer o trabalho sujo de atirar bombas, balas de borracha e spray de pimenta contra o grupo, atingindo inclusive crianças que estavam na aldeia. Neste mesmo episódio, a polícia militar estreou sua arma sônica, em uma demonstração de que novos equipamentos de repressão foram adquiridos para garantir a exploração da cidade como produto internacional para os megaeventos internacionais. Bem, a arma não funcionou muito bem e acabou incomodando mais os policiais, que estavam sem protetores de ouvido, do que os manifestantes. Mas isso é outra história.

Neste dia, houve dura repressão na Radial Oeste, detenções de apoiadores da aldeia, ocupação da UERJ e, por fim, um ato na frente da Assembleia Legislativa que resultou na depredação de viaturas da Guarda Municipal à base de cocos. Episódio que ficou conhecido como a “Revolta dos Cocos”, em alusão ao filme Coconut Revolution, sobre a resistência indígena na Papua Nova Guiné.

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Tudo isso se somava à indignação dos moradores de favelas que estavam na mira das UPPs, ou no caminho dos tratores do Choque de Ordem com suas remoções ilegais, ou segregados pelo aumento abusivo das tarifas de ônibus. O despejo truculento da Aldeia acabou por acender o pavio do molotov da revolta popular, e por acelerar o levante no Rio de Janeiro, que ficou conhecido como as Jornadas de Junho de 2013.

O arrefecimento das ruas como consequência da escalada de perseguição do Estado contra os movimentos sociais gerou um hiato amargo e silencioso. Algumas pessoas sofreram processos judiciais pesados e baseados em mentiras e delações. Outras esperam veredito até hoje.

Cinco anos depois, as ruas voltam a estremecer de indignação pelo assassinato da defensora de direitos humanos Marielle Franco, que foi vítima, em primeiro lugar, da guerra reacionária do Estado contra o povo, que encoraja as polícias e milícias do velho Estado a saírem de seus subterrâneos e atacarem de forma cada vez mais covarde as lutadoras e lutadores do povo em todas as suas frentes.

No dia 10 de março, a vereadora publicou em uma rede social seu repúdio à ação do 41º BPM na favela de Acari. Na operação, policiais assassinaram dois jovens e jogaram seus corpos em um rio. O caso está nas páginas da última edição do Jornal A Nova Democracia e a hipótese de retaliação por parte de policiais do 41º BPM já foi colocada por detetives como uma das principais linhas da investigação.

Os protestos que acontecem em todo o país são a demonstração evidente de que o povo identifica o Estado como culpado pela morte de Marielle. E o mesmo Estado que atacou os indígenas, é o Estado que opera em aliança com grupos paramilitares, as chamadas “milícias”; e que legitima a ação permanente de batalhões como o 41, que são na verdade grupos de extermínio institucionalizados.

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Milhares de pessoas estiveram presentes no ato na Maré por justiça para Marielle

Que o assassinato brutal da Marielle seja novamente o estopim de uma grande revolta, como quando da absolvição dos policiais flagrados espancando Rodney King em Los Angeles no início dos anos 90. Que esse crime bárbaro não se transforme em palanque para políticos brancos de classe média angariarem votos nas próximas eleições.

Que essa barbárie mobilize a rebelião das massas e sirva de lição para as companheiras e companheiros que militam no gueto, na linha de frente, e um dia pensaram em se candidatar. Parlamento é lugar de homens brancos oriundos das oligarquias, salvo raras exceções. Agora, mais do que nunca, é hora de temperar a juventude no aço para duras batalhas fora das tribunas eleitoreiras. 

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