img-20180324-wa0007Uma nova ação de vingança das polícias desse Estado apodrecido deixou um rastro de sangue e morte no Morro da Rocinha. Na última quarta-feira, policiais da Unidade de Polícia Pacificadora da Rocinha balearam e mataram um senhor identificado como Marechal em um suposto confronto com traficantes.

Segundo moradores, o senhor tinha 69 anos e trabalhava há décadas no Largo do Boiadeiro consertando e vendendo ferros de passar roupas e outros utensílios. No episódio o soldado da PM identificado como Felipe Santos de Mesquita, foi atingido no abdômen. Levado para o Hospital Municipal Miguel Couto, na Gávea, ele não resistiu e também morreu.

A morte do policial despertou a ira da Tropa de Choque da PM, que foi a Rocinha na manhã de hoje em busca de vingança. Segundo moradores, ainda eram 6h da manhã quando policiais entraram na Rocinha pelas localidades Roupa Suja e pela Rua 2 gritando que “quem manda aqui é a polícia”. Os tiros causaram pânico e correria pois havia acabado um baile funk minutos antes da chegada dos agentes. Ao menos oito pessoas morreram, a maioria delas com tiros pelas costas. No IML, parentes das vítimas enfrentavam uma enorme burocracia para liberar os corpos. Entre os mortos estava o jovem Matheus da Silva Duarte, de 19 anos.

Meu filho era inocente, ele não tem nenhum envolvimento com tráfico. Tem que ter justiça. Como a gente vai viver agora sem nosso filho e ainda com as pessoas insinuando que ele era traficante? O pior não é o erro da polícia. O pior é que eles não assumem o erro e colocam um jovem cheio de vida como bandido para a imprensa  — diz o pai de Matheus, o cobrador de van Márcio Duarte de Oliveira, de 45 anos.

julio-moraesO auxiliar de serviços gerais Júlio Morais de Lima, de 23 anos, também foi baleado nas costas quando saía para trabalhar.

Agora a gente que tem que provar que meu filho era trabalhador? Eu acho que se a polícia matou, a polícia tem que dar uma explicação, mostrar as provas. Mas não, somo nós que temos que dar até o endereço da churrascaria para os jornalistas irem lá perguntar se era ou não era. Que mundo é esse? A polícia chega, mata um monte de gente dando tiro pelas costas, atirando em todo mundo que está na rua, mostra lá umas armas, diz que era todo mundo bandido e pronto. E a gente? Como fica? — pergunta o tio de Júlio.

Áudios vazados de grupos de policiais no aplicativo Whatsapp e atualizações publicadas pelo Major Elitusalem Freitas em sua página do Facebook dão conta de um massacre premeditado que tinha até mesmo um placar de mortes por batalhão.

As mensagens evidenciam que as mortes na operação de hoje não foram efeitos colaterais de uma operação, mas sim o objetivo central da polícia, que ainda deixou sem luz várias localidades da favela. Em seis meses de operações na Rocinha, 51 pessoas foram mortas e outras 13 ficaram feridas.

Esse novo crime do Estado contra o povo acontece dias depois de uma visita do prefeito Marcelo Crivella à Rocinha, na qual o falastrão anunciou uma reforma da fachada dos acessos à Rocinha, que segundo ele “está muito feinha e precisa estar mais apresentável aos motoristas que passam pela Autoestrada Lagoa-Barra”. Essa sempre foi a maior preocupação dos gerentes de turno do velho Estado com as favelas: esconder suas mazelas e derramar sangue para manter a ordem semifeudal e semicolonial produzindo carestia para milhões e fortunas para alguns poucos.

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