[RJ] Entrevista com a professora da UERJ Vera Malaguti

Rádio Mutirão conversou com a Professora de Criminologia da Faculdade de Direito da UERJ, Vera Malaguti sobre a situação no Rio de Janeiro

A professora conversou por Skype com os comunicadores Vito Ribeiro da base do Rio de Janeiro e Alí Salem, nosso correspondente em Bogotá – Colômbia.

Vera comentou como as estruturas de controle se atualizam e se sofisticam em um cenário de intervenção federal militar. Destacou a implementação de um “Estado de Guerra” que tem na perseguição, criminalização, extermínio e encarceramento de jovens negros das favelas sua agenda principal. Inclusive como a adesão punitivista da justiça.

“A intervenção militar no Rio de Janeiro faz parte de um contexto de guerra. A guerra é fundamental para o funcionamento do capitalismo internacional”

Comentou também o caso do assassinato da defensora de direitos humanos, Mariele e como ele funciona como um recado amargo aos militantes da cidade, que denunciam as violações de direitos levadas a cabo pelo estado.

“O assassinato da Mariele é um toque para todas as forças de resistência da cidade. É preciso refletir e voltara pensar em segurança como se fazia nos anos 70”

Sobre grupos “narco-para-militares”, falou ainda sobre o paradigma colombiano para toda a América Latina – quando em 2001 em virtude da Operação Órion, o governo da Colômbia ocupou militarmente as comunas – favelas – de Medellin e pouco a pouco foi transferindo o controle das regiões pobres para as milícias e legalizando os grupos pára-militares, a mando do então presidente Álvaro Uribe.

“A intervenção militar federal, de certa forma vai favorecendo a instalação de grupos de milícia. Estamos vivendo uma regressão expressiva no campo dos direitos, e ainda uma “milicialização” da vida”

Por fim destacou a importância de grupos e coletivos de contra-informação para denunciar e despertar consciência sobre a situação alarmante no Rio e que os movimentos sociais devem rever seus protocolos de segurança.

“Nós temos uma grande batalha, e ela é no campo comunicacional. A atividade que grupos de comunicação independente fazem é importante para confrontar o que venho chamando de adesão subjetiva à barbarie”

*Esta entrevista integra o conteúdo complementar do curso TAMBOR – Escola de Mídia Independente, realizado pela Rádio Mutirão com jovens comunicadores de favelas e periferias do Rio de Janeiro.

Veja a entrevista completa no video abaixo.

 

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