#PrayForPraçaSãoSalvador E A POLÍTICA DO TERROR EM ACARI.

Anteontem ocorreu um episódio trágico numa praça de Laranjeiras, Zona Sul do RJ. Pessoas em um carro passaram atirando para executar um homem, que revidou. O ocorrido resultou em duas pessoas mortas e uma baleada.

Por Buba Aguiar – Coletivo Fala Akari

No dia seguinte, ontem, todos os veículos de comunicação da chamada grande mídia (Globo, SBT, Record e Band) passaram muitas horas na praça fazendo matéria sobre o que aconteceu.

Uma amiga, Marcelle Decothé, chegou no trabalho dizendo que os caras estavam fazendo filmagem do sangue que ainda estava no chão, isso já de tarde (e o negócio aconteceu tarde da noite do dia anterior). E eu perguntei:

– “Ué, o sangue ainda tá lá?!”

E ela, ironicamente, respondeu:
– “Miga, esse povo aqui da ZS não sabe o que é pegar balde pra lavar sangue de morto na porta deles não, quem faz isso direto é a gente.”

Em Acari tivemos duas execuções extrajudiciais cometidas por policiais do 41ºBPM na segunda-feira e por conta de inúmeras burocracias os corpos só puderam ser velados e enterrados ontem, dois dias depois.

Mesmo com a repercussão que o ocorrido em Acari tomou, nada foi falado nessa mídia suja. Ainda assim por conta do nosso grito pensamos que até o final dessa semana o 41ºBPM não faria nenhuma operação em Acari.

Estávamos enganados.

Operação oficial não teve mesmo. Mas ontem eles entraram com o caveirão pelo Amarelinho dando tiros, no horário de crianças saírem das escolas, causando correria, medo, pânico e tudo o que a gente já sabe que acontece quando esses policiais entram. Menos de uma hora depois foram embora como se nunca tivessem entrado lá.

Hoje cedo a mesma coisa, eles quebraram uma cancela que tem na localidade da Beira Rio passando por cima da cancela dando tiros. Caveirão entrou de novo pelo Amarelinho também tacando terror. E menos de uma hora depois foram embora.

Sabem o que é isso? Política do medo, do terror, da tentativa de nos calar. Nenhuma das duas ações foram operações oficiais, nem mesmo a de segunda-feira foi oficial. Diante das nossas denúncias eles devem estar “acoados” em fazer operação pois estamos em alerta, porém fazem essas ações de entrar com o caveirão, dar tiro e sair, em retaliação as nossas denúncias.

E na mídia? Ninguém fala um ai.

Há quase 2 anos atrás quando ocorreu a última chacina em Acari, ocorreu também a morte de um homem em Manguinhos, estive lá com Ana Paula OliveiraFransérgio Goulart GoulartPatrick GranjaVito EleguáAndré Miguéis, entre outras pessoas. Os moradores de Manguinhos disseram ter entrado em contato com essa mídia nojenta e eles mentiam dizendo que iriam para o local e não apareceram.

Depois disso eu e alguns companheiros fomos para Acari, havia muito trabalho a ser feito lá. Chegando em Acari soubemos que alguns jornalistas da globo e de uma outra emissora grande, SBT se não me falha a memória, foram em Acari e gravam uma matéria DE MERDA na frente do hospital, não chegaram nem a entrar na favela, não procuraram as famílias, nem nada. Depois fomos pro IML encontrar os familiares dos jovens que foram executados. No caminho tivemos que ouvir de um editor de um jornal do grupo Globo que ninguém tinha ido para Manguinhos porque TODO MUNDO TINHA IDO PRA ONDE TINHA MAIS MORTOS.

No artigo 5º da constituição federal diz: Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza.

No artigo 1º da Declaração de Direitos Humanos diz: Artigo 1: Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos.

Porém quando o sangue de pessoas de uma raça e classe x recebe mais atenção do que o sangue das pessoas de raça e classe y. E quando a violência do estado (leia-se violência policial mesmo) numa favela só recebe atenção quando amontoamos corpos numa espécie de holocausto carioca é necessário e cada vez mais urgente para para analisar e decidir: De que lado você samba, você samba de que lado?

Eu já escolhi o meu.

Pray For [digite aqui o nome da sua favela/periferia]

Obs.: Não adianta retaliar, não iremos nos calar!

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