Polícia segue matando na capital e interior do Rio de Janeiro

A PM do Rio de Janeiro já matou mais nesse primeiro semestre de 2018 do que nos últimos 15 anos, segundo estatísticas do próprio ISP — Instituto de Segurança Pública. E a matança de pobres segue avançando, inclusive em direção ao interior do estado. Desde o início de abril, policias do 28º batalhão de polícia militar fazem repetidas ações no Complexo Vila Brasília, em Volta Redonda, que já resultaram na morte de ao menos duas pessoas. Mensagens enviadas por moradores da região a nossa redação sugerem um estado de sítio que pode ter resultado em um número de mortos maior do que o indicado pelas informações oficiais.

Eu pego meus filhos e coloco em casa sempre que ouço os fogos. Aqui na Brasília dois meninos desapareceram depois que a polícia entrou. O povo acha que a polícia matou e levou embora dentro do caveirão — diz uma moradora referindo-se ao veículo blindado da polícia.

Na zona sul do Rio, o clima também é de tensão. No último final de semana prolongado e na terça-feira após o feriado (25), PMs fizeram operações em várias favelas da zona sul da capital. No sábado (21), policiais da UPP, do Grupo de Intervenções Táticas (GIT) e do Comando de Operações Especiais (COE) fizeram uma operação nos morros Chapéu Mangueira e Babilônia desde o início da manhã. Segundo moradores, PMs entraram nas favelas atirando a esmo e atingiram um transformador, deixando parte das favelas sem luz durante todo o final de semana.

Na terça-feira (25) foi a vez da Rocinha, também na zona sul do Rio, ser atacada por policiais da mais letal tropa da PM do Rio, o BOPE. Eles chegaram no início da manhã, quando milhares de trabalhadores e estudantes saíam do morro. Na localidade conhecida como Cachopa, as marcas de tiros nos muros e nas paredes das casas dão conta de um verdadeiro cenário de guerra.

Eles entraram nas casas, quebraram o portão de um monte de gente, reviraram tudo. Se pelo menos falassem com respeito na hora de entrar na nossa casa. Mas não, xingam a gente de vagabunda, piranha, batem, humilham. Aqui é favela, mas antigamente a gente viva em paz — diz uma moradora em comentário publicado na página Rocinha em Foco na rede social Facebook.

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