[podcast] Assassinato de liderança do MAB no Pará: mais uma mulher que morre lutando por direitos

Uma das principais dirigentes do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) da região Norte do Brasil foi brutalmente assassinada, juntamente com seu marido e outro integrante do movimento em Tucuruí, no Estado do Pará.

Dilma Ferreira da Silva, de 45 anos, era uma das principais lideranças do MAB na luta por reparações e indenizações de mais de 32 mil pessoas atingidas pelo lago da usina de Tucuruí em 1984, no rio Tocantins. Dilma foi assassinada junto com Claudionor Amaro Costa da Silva, seu esposo e Hilton Lopes, no Assentamento Salvador Alende, zona rural de Baião, ocorrido na sexta-feira (22/03), Dia Mundial da Água.

Devido ao seu comprometimento com luta Dilma passou a coordenação nacional do MAB e chegou apresentar em 2011 à presidência da república, um relatório sobre os absurdos cometidos pelos militares com a população da região durante a implantação da Usina Hidrelétrica de Tucuruí. Além de anexar um documento com reivindicações de uma política nacional de direitos para os atingidos por barragens e atenção especial às mulheres atingidas.

Dilma e sua família viviam no assentamento Salvador Allende, antiga Fazenda Piratininga, há 5 anos. Foram assentados após terem sua cidade sua cidade alagada devido a abertura das comportas da usina.

O assentamento que possui um histórico de 12 anos de ataques e ameaças de latifundiários, madeireiros e pistoleiros contratados, é palco do primeiro massacre do ano de 2019, segundo a Comissão Pastoral da Terra.

O crime chama a atenção pela brutalidade e crueldade dos assassinatos. Os três integrantes do MAB, assassinados em casa na noite do dia 21 de março, foram amarrados, torturados e degolados por facão.

Os assassinatos no campo brasileiro são históricos e se agravaram na história recente a partir do ano de 2015, com a instabilidade política do governo de Dilma Rousseff. Desde então, ano após ano são notificados recordes sucessivos de mortes no campo.

Até que no ano de 2017, os 5 casos de massacres marcaram de maneira macabra a luta no campo.

O assassinato de Dilma se inscreve num contexto de morte de mulheres militantes, lutadoras e defensoras dos direitos humanos, que cresce no Brasil desde 2015. São mulheres do campo, da cidade e das florestas que vivem conflitos, prisões arbitrárias, violências em manifestações populares, despejos forçados e assassinatos.

Sobre Dilma Ferreira, Marielle Franco e muitas mulheres…

Assim como Marielle Franco, a maior parte dessas mulheres é composta por pobres e negras que combatem um projeto de genocídio.

Marielle como uma representante da luta na cidade nos aproxima também de mulheres como as lideranças quilombolas Francisca das Chagas (Maranhão) e Maria Trindade (Pará), assassinadas em 2016 e 2017.  Nilce de Souza Magalhães, a Nicinha do MAB, em Rondônia em 2015. e as indígenas Geovana Deodoro Kaigang e Sônia Vicente Cacau Gavião, Cry Capríc assassinadas na luta pela demarcação de seus territórios no Rio Grande do Sul e Maranhão respectivamente.

É importante lembrar que o atual presidente Jair Bolsonaro é o principal propagandista  de um discurso de ódio aos movimentos sociais nesse país. Desde a sua campanha tem atacado publicamente quilombolas e declarado guerra aos movimentos sociais representados na figura do MST.

Além disso, acoberta e apoia a bancada ruralista oferecendo ministérios à  latifundiários. Herdeiros da crueldade do coronelismo e estabelecidos no poder desde antes da República utilizam o aparato repressor do Estado para perseguir, reprimir e assassinar. Quando estes não atuam diretamente, no massacre contra a população trabalhadora do campo, se associam as milícias rurais, outros latifundiários e governos locais na execução de conflitos agrários e assassinatos.

A Ordem dos Advogados do Brasil, sessão Pará publicou uma nota em que reforça o caráter brutal do ocorrido e também o caracteriza como massacre.

A Rádio Mutirão se solidariza com Movimento de Atingidos por Barragem (MAB), familiares e amigos daqueles que foram assassinados em luta e cujas memórias jamais serão esquecidas.

DILMA FERREIRA! PRESENTE NA LUTA!

 

Atualização 01/04/2019

 

Grileiro é mandante do assassinato de dirigente do MAB. 

 

grileiro

Preso o mandante do massacre no assentamento Salvador Allende, que vitimou a dirigente do MAB, Dilma Ferreira da Silva, seu companheiro e um amigo do Casal. De acordo com a Comissão Pastoral da Terra (CPT Nacional), o grileiro Fernando Ferreira Rosa Filho, conhecido como “Fernandinho” foi o mandante.

Fernandinho era vizinho e queria as famílias fora do assentamento. Após dois dias (24) do assassinatos dos militantes, o grileiro realizou o segundo massacre do ano, no qual assassinou o tratorista de sua fazenda e um casal de caseiros insatisfeitos pelo não cumprimento de seus direitos trabalhistas.

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