Intervenção federal acirra o massacre de pobres na Praça Seca

Na manhã de domingo (15), policiais do 18º BPM (Jacarepaguá) e do Batalhão de Ações com Cães (BAC) fizeram uma operação na favela Bateau Mouche, na Praça Seca, zona oeste do Rio de Janeiro. A ação terminou com dois homens mortos e levou pânico aos moradores da região em pleno domingo. Relatos publicados mas redes sociais dão conta de um cenário de guerra, com trabalhadores trancados em casa para protegerem-se dos tiros.

Um dia é a milícia e no outro dia é a polícia. A gente não tem mais sossego. Todo fim de semana a gente fica trancado em casa para não morrer. Se você ou sua família não tomam um tiro, a polícia te pega na rua, te agride, te mata, porque para eles todo mundo aqui é bandido. A favela está vazia, porque o povo não aguenta a violência e vai embora — diz uma moradora em mensagem por Whatsapp.

Há três semanas, um morador flagrou com o celular o momento em que dezenas de paramilitares dos grupos conhecidos como milícias subiram o Bateu Mouche a pé e a bordo de veículos roubados para tentar tomar a favela de traficantes que dominam a região. Há meses moradores sofrem com esses confrontos nos quais, evidentemente, o Estado faz vista grossa ou dá cobertura para a ação criminosa desses grupos de assassinos profissionais formados por militares, policiais e bombeiros.

Durante a operação da polícia militares do exército comandados pelo interventor general Walter Souza Braga Netto deram cobertura aos agentes com tanques de guerra e barreiras montadas nos acessos à favela. Segundo dados do aplicativo Fogo Cruzado, comparando dados da região, nos dois meses que antecederam a intervenção militar, a Praça Seca teve 48 tiroteios, 3 mortos e 10 feridos. Dois meses após a intervenção, os números são de 67 tiroteios, 7 mortos e 4 feridos. Em suma, a intervenção militar no Rio serve, flagrantemente, para oprimir os trabalhadores de favelas e bairros pobres, já assolados pela carestia e a completa falta de persepectivas.

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