[SP] Padre Julio Lancellotti, ameaçado de morte por sua luta em defesa do povo da rua

Estamos vivendo tempos nebulosos, em que a violência e os discursos de ódio invadem as ruas e afetam o discernimento das pessoas

Denise Ceron – Água Para Um Irmão de Rua
Luiz Junior – Tulipa Negra Direitos Humanos

Na confusão gerada por esses discursos, quem escolhe lutar por justiça social é difamado, ameaçado, atacado e considerado indigno de fazer parte da sociedade dita de “bem” – constituída pela minoria da população que tem poder econômico e exclui os que não têm dinheiro para consumir.

O Brasil está no topo da lista dos países mais perigosos para os que defendem os direitos humanos e a causa ambiental. Exemplos de pessoas assassinadas por enfrentar poderosos em defesa dos mais pobres não faltam. Chico Mendes, por exemplo, foi assassinado em 1988 por defender os seringueiros da Bacia Amazônica. A missionária Dorothy Stang foi assassinada em 2005 por defender o desenvolvimento sustentável e os trabalhadores rurais do Pará. Há poucos dias, em 14 de março deste ano, a vereadora Marielle Franco foi assassinada por lutar contra o racismo, o machismo e a homofobia, e defender os direitos dxs moradorxs das comunidades do Rio de Janeiro.    

Diante desses fatos, é muito preocupante a situação do padre Julio Renato Lancellotti, que há mais de 30 anos dedica a vida à defesa da população em situação de rua, e está recebendo muitas ameaças.

Após denunciar vários abusos cometidos pela Prefeitura Regional da Moóca (que é subordinada à Prefeitura de São Paulo), durante a retirada dos moradores de rua que viviam no Parque da Moóca, ele passou a ser ofendido de forma sistemática por moradores do bairro de alto padrão da zona leste da cidade. Os ataques não se limitaram às ofensas: um morador chegou ao extremo de pedir abertamente a morte do padre em uma rede social.

28377823_221889081692142_3630563093956104248_n

Além disso, o padre está sendo alvo de ameaças de morte frequentes por parte de policiais. Isso porque ele denunciou abusos e agressões contra muitas pessoas em situação de rua cometidos por agentes da Guarda Civil Metropolitana e por policiais militares. As denúncias são baseadas em vídeos e relatos de testemunhas. No último dia 20 de março, por exemplo, um homem em situação de rua foi abordado em um supermercado por policiais militares, que disseram abertamente que “matariam os moradores de rua e o padre”.

Preocupada com tantas ameaças, a comunidade que frequenta a Paróquia São Miguel Arcanjo, igreja em que o padre atua, decidiu realizar, no próximo domingo, 25 de março, uma porcissão para manifestar seu repúdio às ameaças, pedir punição aos algozes do padre e exigir a implantação de políticas públicas humanizadas dirigidas às pessoas que já perderam quase tudo o que tinham e devem ser tratadas, como todos os seres humanos, com dignidade e acolhimento, e não com exclusão e violência policial.

Diversos grupos de direitos humanos vão se somar à procissão. Caminharemos em defesa do padre e ao lado do povo de rua, pois acreditamos que devemos acompanhá-los em sua resistência.

O padre Julio Renato Lancellotti já foi atacado e difamado em muitos outros momentos de sua vida, e nunca se acovardou nem abandonou a missão que abraçou como objetivo de luta e resistência. Não será desta vez que ele desistirá, pois não estará sozinho. Estaremos com ele!

Fotos: Pavablog e acervo pessoal do padre Júlio

Comentários

Comentários

Deja un comentario

Tu dirección de correo electrónico no será publicada. Los campos necesarios están marcados *

es_MXES
pt_BRPT_BR es_MXES