Mais mortes e chacinas em cinco meses de intervenção militar no Rio

pavao-cantagalo

Foi divulgado no dia 16 de julho um relatório referente aos resultados atingidos pelas forças armadas no Rio de Janeiro após cinco meses de intervenção federal. Segundo o Observatório da Intervenção — iniciativa do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania da Universidade Cândido Mendes — os resultados são assustadores. Segundo o estudo, a letalidade das polícias cresceu consideravelmente em comparação ao mesmo período do ano passado: Um aumento de 80% das chacinas — ações com três ou mais mortos —; e as mortes oriundas de intervenção policial-militar subiram 128%.

Foram 28 ações do Estado com três ou mais mortes; em um total 28 episódios que somaram 119 óbitos. Nos cinco meses correspondentes de 2017, foram 15 casos e 52 mortes. Os tiroteios cresceram 37%, saltando de 2.294 para 4.005 casos, segundo o aplicativo OTT (onde tem tiroteio). Como se não fosse o bastante, o relatório aponta um salto em outro índice, talvez o mais assustador: número de crianças baleadas em ações do Estado. Somente nesse período de cinco meses, dez crianças foram atingidas e duas delas morreram.

As ações de dimensões faraônicas e mobilização de milhões de reais em recursos dos cofres públicos na maioria dos casos têm resultados catastróficos. Entre a noite de domingo (15) e a tarde de segunda-feira (16), os interventores fizeram uma dessas megaoperações nas favelas do Salgueiro e Jardim Catarina, em São Gonçalo, região metropolitana do Rio. A ação envolveu nada mais nada menos que 4.300 militares, 120 PMs e 80 policiais civis. Um pescador que prefere não se identificar diz que seu carro foi metralhado por militares. Ele foi atendido no hospital Estadual Alberto Torres durante a madrugada e recebeu alta na manhã do dia seguinte.

Eu estava com uma gaiola de passarinho no carro. O bebedouro da gaiola estava molhando, e eu fui jogar a água fora. Eu parei o carro, e nisso que eu joguei a água e fechei o vidro do carro, eu escutei o primeiro tiro. Eu pensei que fosse bandido, mas não era bandido. Era o pessoal do Exército. Eles atiraram sem parar e eu gritava “morador, morador”. Minha esposa conseguiu sair do carro para se abrigar, mas eu já estava baleado — diz o pescador.

Além dessa, outras operações levaram terror às favelas do Rio no mesmo período. Em mais uma ação desastrosa de agentes do Estado, no dia 20 de junho, policiais da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) em conjunto com o Grupamento de Intervenções Táticas (GIT) da Coordenadoria de Polícia Pacificadora (CPP) fizeram uma operação nos morros Cantagalo e Pavão-Pavãozinho sem um objetivo anunciado. Na ação, um homem foi morto e outras quatro pessoas foram baleadas. No dia 3 de julho, em outra operação, o BOPE matou um homem e feriu outras duas pessoas no Morro do Jordão, zona oeste da cidade.

No dia 16 de julho, em uma operação do BOPE no Complexo do Alemão, inúmeras pessoas procuraram as comissões de direitos humanos da Alerj e da OAB para relatar todos os tipos de violações cometidas pelos agentes. O mais curioso é que a maioria das denúncias davam conta de pessoas que tiveram seus telefones celulares furtados ou danificados pelos agentes. Além disso, muitos moradores tiveram suas casas arrombadas e outros foram agredidos por policiais.

Comentários

Comentários

Deja un comentario

Tu dirección de correo electrónico no será publicada. Los campos necesarios están marcados *

es_MXES
pt_BRPT_BR es_MXES