A arrogância dos militares brasileiros é repugnante

Eles foram os menos punidos de todos na história das tiranias militares da segunda metade do século XX na América Latina.

Por Maurício Campos

Ao contrário do que aconteceu na Argentina, Chile, Uruguai e até na Guatemala, entre outros países, nenhum militar ou policial assassino ou torturador foi responsabilizado ou pagou por seus crimes. Como conseqüência, temos forças policiais e militares entre as mais violentas e corruptas do mundo, que se vêem (e efetivamente estão) acima da justiça.

E um nível de violações em massa aos direitos humanos (quase exclusivamente sobre a população negra, indígena, pobre) sem paralelo em países considerados “democráticos e constitucionais”.

E isso de alguma forma contribuiu para uma menor criminalidade e violência? Claro que não, exatamente o contrário! Um Estado violento e corrupto só pode produzir uma sociedade violenta e atormentada pela criminalidade, em todos os níveis.

É exasperador constatar como a “esquerda” contribuiu para esse quadro. Primeiro, aceitando ao fim o grande perdão à tortura, ao sequestro e ao assassinato estatais que foi a Lei da Anistia. Depois, encenando uma “Comissão Verdade” miseravelmente simbólica e sem possibilidades de responsabilização dos agentes dos crimes de Estado.

Por fim, contribuindo ativamente para a militarização contra o povo pobre, negro e indígena, com apoio e organização de a UPPs, GLO, Minustah, Lei Antiterrorismo, etc, etc

Diante da arrogância das Forças Armadas e das polícias, e da tacanhez e covardia das “esquerdas”, como podemos nos surpreender que grande parte da população compre e se iluda com os discursos e propostas fascistas, que só vão aprofundar esse ciclo infernal?

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